segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ela Precisava ir II


Lá estava ela, um pouco mais distante a cada segundo que se passava, ela estava indo embora e em nenhum momento foi mandada ir, mas também não se pediu para que ficasse.
Havia excesso na falta de sinceridade e falta de clareza no excesso de silêncio que sempre foi  profundo e aparentemente perpetuo.
Percebia-se raiva nas frases insensíveis, raiva a qual provocava ainda mais silêncio, indignação e ciúmes. Ciúmes do que não se deveria ter. Ciúmes do que nunca foi e nem nunca será, ciúmes o qual já mais poderia sentir.
Traição... Em ato ou pensamento, nunca se sabe ao certo o que se pode esconder em ilusões de uma serie de falsas verdades.
Solenemente, como se fosse meiga, lia e observava cada palavra, cada gesto, até mesmo o mínimo detalhe. E se fingia de boba, talvez para sofre.
E enquanto tragava mortal e demoradamente o seu cigarro ela revivia, relembrava e ate sorria: veja só na realeza, quanta simpatia e gentileza esculpida em carrara. Ora, vejam só, a outra parte nada mais lhe cabe, pobre miserável, quanta ignorância e brutalidade cuspida e escarrada.
Mas talvez no meio de tanta brutalidade houvesse uma ponta de paixão, e para um futuro distante e esquecido uma possibilidade de TALVEZ amar alguém.
Quanta falta de humanismo e tamanho desprezo pela humanidade.
Que mentira degradante. Desculpa, mas, por favor, me deixe somente com as minhas culpas. Não me obrigue a carregar aquela que talvez seja sua.
Vá-se embora. Desejo-te felicidade, mas te peço que não me atormente com seus sorrisos e nem me apavore com suas tristezas.

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