Lá estava ela, um pouco mais
distante a cada segundo que se passava, ela estava indo embora e em nenhum
momento foi mandada ir, mas também não se pediu para que ficasse.
Havia excesso na falta de
sinceridade e falta de clareza no excesso de silêncio que sempre foi profundo e aparentemente perpetuo.
Percebia-se raiva nas frases
insensíveis, raiva a qual provocava ainda mais silêncio, indignação e ciúmes.
Ciúmes do que não se deveria ter. Ciúmes do que nunca foi e nem nunca será, ciúmes
o qual já mais poderia sentir.
Traição... Em ato ou pensamento,
nunca se sabe ao certo o que se pode esconder em ilusões de uma serie de falsas
verdades.
Solenemente, como se fosse meiga,
lia e observava cada palavra, cada gesto, até mesmo o mínimo detalhe. E se
fingia de boba, talvez para sofre.
E enquanto tragava mortal e
demoradamente o seu cigarro ela revivia, relembrava e ate sorria: veja só na
realeza, quanta simpatia e gentileza esculpida em carrara. Ora, vejam só, a
outra parte nada mais lhe cabe, pobre miserável, quanta ignorância e
brutalidade cuspida e escarrada.
Mas talvez no meio de tanta
brutalidade houvesse uma ponta de paixão, e para um futuro distante e esquecido
uma possibilidade de TALVEZ amar alguém.
Quanta falta de humanismo e tamanho
desprezo pela humanidade.
Que mentira degradante. Desculpa,
mas, por favor, me deixe somente com as minhas culpas. Não me obrigue a
carregar aquela que talvez seja sua.
Vá-se embora. Desejo-te
felicidade, mas te peço que não me atormente com seus sorrisos e nem me apavore
com suas tristezas.
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