Uma capela, um corpo bêbado, uma
alma suja e um coração não tão ruim quanto à aparência.
“Estava passando por aqui e de
longe vi sua casa, Deus. Olha eu nem estou tão bêbado assim, nada mais foram do
que algumas cervejas e carteiras de cigarro. Deus, esse pobre miserável sabe
que não tem dignidade, sou infeliz, apenas mais um perdido sofredor, Senhor, eu
sou um bêbado continuo e talvez tu não me ouça, mas diga-me, por favor, ela
está bem?
Deus, ela se foi porque eu a
mandei ir, mas não imaginei que uma lâmina afiada fizesse tão facilmente todo
esse estrago. Eu a amava tanto, mas tanto e ela estava se entregado a ele, o
Senhor viu, eu não soube me controlar, Deus. Sei que ela jamais me perdoará,
sei que tu talvez nunca me de teu perdão.
Olha, Deus, eu também vou-me
embora, peço que não guarde magoas de mim nem sinta pena, mas me deixe ficar
aqui nesse cantinho ate que meu corpo apodreça assim como minha alma suja, ou
até que um ser um pouco menos miserável me retire de tanta decadência.”
E a última lágrima caiu ao som de
um eco de silêncio estrondoso.
-Quanta infelicidade, agora toda
bicharada corroerá esse corpo de espírito fraco que não soube lutar enquanto o
mesmo vague revivendo continuamente sua dor de um grito sem fim.
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