segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uma transa, um cigarro



Elas conversavam, aquela moça bonita e charmosa falava. Incrível, ela não se calava nunca. A outra que adorava falar, simplesmente ouvia. E ela adorava podê-la ouvir. Como quem se iludia, ouvia com toda calma e malicia que lhe era sugerido e cabível. Uma malicia a qual, pela outra parte, já mais imaginada.
Dizia coisas bonitas, inclusive sobre a imortalidade. Não que desejasse imortalizar aquele momento, muito pelo contrario.
E em seus pensamentos ela questionava “diz tudo que me diz, qual parte será minha e qual de todas as outras?” Parecia tudo tão natural, mas ela sempre soube dos ensaios.
Então pensava para si, malicia e inocentemente, que melhor que a imortalidade seria poder saber a verdade que todas as pessoas teimam em não dizer.
E ela se sentia bela de mais para ser tocada, mas foi.
E de certa forma, a criança que desejava nunca morrer, não morrerá, ao menos não em pensamentos e por alguns dias, meses ou anos.
Comiam e desejavam-se mais do que dois dedos eram capazes.
E ela, se sentiu especial?
Não!
Ali, de camarote, assistia o seu corpo sendo usado da mesma forma em que ela, também, usaria.
-Vamos fumar?
-Estava cogitando a mesma ideia.

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