E ela era linda.
Linda, tão meiga e doce, possuía
o sorriso mais cativante que alguém poderia ter. Ninguém sabe o motivo, mas ela
só se vestia de branco ou azul claro. Sempre bem maquiada e essencialmente de
batom vermelho. Fumava desgraçadamente e bebia socialmente, acho que nunca
ficou bêbada.
Todos olhavam e desejavam, alguns
diziam que ela era maluca e outros diziam que era o ser mais sereno que havia
na terra.
Homens ou mulheres? Não
importava. Ela sempre tinha alguém, sempre estava acompanhada. Mas ela não
ficava com qualquer pessoa, calculadamente selecionava o seu próximo amor.
Ela adorava ouvir e observar. Aquela moça de pele branca e macia era exatamente a mulher que qualquer pessoa
desejava.
Sempre que passava pela rua,
percebia comentários de sua beleza, e alguns, os mais atrevidos de longe
gritavam toscamente “hô gostosa”. E ela não se incomodava, afinal sabia mesmo
que era.
Ela era atraída por pessoas
reservadas. Não meigas, não doces, não serenas. Porém, pessoas tristemente
reservadas. Ela observava o medo e a angustia no olhar de cada uma delas, e
quanto mais gritava pelo fim de sua vida, mas ela desejava amar aquela pessoa.
Ela seduzia, não era nada
difícil. E a vitima se sentia privilegiada.
Ela adorava ouvir, transar e
ouvir. Sempre pedia para pessoa falar mais de seus problemas, pedia para que
desabafasse com ela. Com o tempo ela nem precisava mais pedir, era tão bom,
seus conselhos eram sempre maravilhosos.
Ela era fiel, completamente fiel
ao seu crime. Nada podia dar errado. E não dava.
Ela fazia um bem fascinante.
Seduzia, conquistava, ouvia, transava, ouvia, fumava e por fim, falava. Usava
palavras formais e te dizia coisas confortáveis. A pobre vitima se sentia tão
bem que em pouco tempo já se viciava. O
que seria essa mulher? Alguma droga nova no mercado? Não, ela era uma mulher a
qual você, facilmente, se tornava dependente.
Mas havia um problema.
E com o tempo, com todos os bons
conselhos, fortes abraços e caricias a vitima ficava feliz e ao lado daquela
mulher todos os problemas se resolviam. Aquilo não era uma droga, era um anjo.
Será?
Quando ela via a felicidade nos
olhos da vitima ela já não queria mais. Quando a vitima já sabia, coseguia
resolver seus martírios a doce mulher sem porque ou pra que simplesmente
desaparecia.
Qual seria o papel desse anjo
aqui na terra?
Fazer-te aprender a viver?
Tirar-te da depressão?
Perverso demônio.
A verdade é que aquele satanás se
alimentava de lagrimas e vivia do desespero.
Não era a toa que escolhia cuidadosamente
suas vitimas.
Enquanto seus olhos pediam e
gritavam doloridamente suplicando a morte celestial ela ficava ao lado ouvindo
suas angustias e se alimentando daquela coisa.
A vitima se sentia feliz,
viciadamente feliz e a ela já não fornecia mais alimentos.
Se a sua presença era tudo que
lhe era possível fazer sorrir o anjo mal se retirava e somente observava de
longe a degradação física e psíquica da criatura até que viesse a óbito.
No fundo de sua gaveta, lá estava
suas anotações. Quantos já se foram e o próximo a ir.
Será que ela existe?
ResponderExcluirTalvez seja só imaginação.
ResponderExcluirMas vai que, talvez, ela exista??
Será ?