Você era minha amiga. Tão frágil,
tão sensível, tão dependente de meus cuidados.
E tudo que eu queria era pode lhe
cuida. Eu te cuidava, nos mínimos detalhes te obsevava, a cada sorriso tentava
aliviar um pouco da sua dor.
Tão doente. Ela só tinha meio
pulmão, pensei na forma de lhe entregar um dos meus, nessa época eles ainda
eram saldáveis, ou ao menos eu pesava que fossem. Eu queria tanto, mas tanto e
me doía saber que isso não era possível, então eu rezei, na verdade eu rezava
toda noite e pedia para que Deus me tirasse um deles e passasse para ti.
Eu poderia pedir para que você
sarasse, mas não, eu desejava sofrer contigo, e ao teu lado aprendi a desejar e
gritar cada dia, cada segundo mais alto pela morte. Eu ansiava pelo seu abraço
sombrio.
Você travava. Tão pequena e
delicada, minha nossa, como você sofria. Lembra-se de quando cantou e tocou
para mim “avião sem asa, fogueira sem brasa, sou eu assim se você”. Eu tentava
demonstrar que era forte, não chorava perto de ti, mas quando a noite chegava,
trazendo junto a angustia que me consumia e me fazia sentir uma inútil, eu
abraçava o travesseiro e chorava por ti, chorava por mim.
E a cada 30 minutos (durante
semanas), quando o meu maldito celular despertava, duas vezes você atendeu,
então agradeci a Deus por você está viva. E as outras, eu rogava novamente a ele,
implorando para que você ficasse com parte de mim, e desejando a cada dia, mais
e mais, o tão sonhado abraço eterno. Fazia tudo isso enquanto você dormir. Eu
velava-te. Quanta inocência cabia a mim? Nenhuma. Quanta burrice? Nem eu seria
capaz de contar, era a burrice maior do mundo.
Eu me feria, me esfolava e me
torturava, fazia do meu corpo o abrigo solidário e solitário do lixo, o lixo o
que eu me sentia, o qual você me fazia sentir. E a cada gota de sangue
derramado um tremendo alivio. Sim, isso me aliviava, eu tinha justiça, tinha o
que merecia. Eu não conseguia te proporcionar toda a felicidade que o seu falso
olhar me pedia.
Quantas vezes me enforquei,
asfixiei, tudo isso porque não me cabia derramar mais nenhuma gota de sangue. Já
não me era possível derrama-las. Além do mais, eu desejava sofrer do mesmo mal
que sofrias.
Qual? O mal de mal algum? O mal
de psicopata, louca, alucinada? Ou seria o mal de se amar tanto e almejar tanto
um objetivo ao ponto de passar por cima de tudo e todos? Independente de quem,
ou quantos, o quanto sofreria o quem, o alguém, ou todos.
Tenho que lhe admitir, MENTES DE
FORMA ENCATADORA. Acho até que lhe invejo esse dom. Ou não, eu era a sua
garotinha, como você mesmo dizia “minha garotinha”.
Talvez eu deva sentir nojo de
você, afinal, enganar uma garotinha não é nada complicado.
Será que ainda existe algo de
garotinha em mim?
Talvez as lembranças. Porque nem
o seu maldito numero de telefone eu consegui esquecer.
Nunca tentei, e nem vou tentar,
mas espero que já tenhas trocado esse numero para que eu nunca te ligue.
Que mentira, acho que você me
ensinou bem... Acabei de me flagrar tentando enganar-me.
Há dois anos trás eu te liguei
sim, liguei no confidencial e assim que ouvi tua voz do outro lado da linha
imediatamente desliguei e destruí-me em lagrimas.
Chorei em frente ao espelho, e te
confesso: adorei assistir minha própria dor.
Tinhas razão em fazer tudo aquilo,
era mesmo divertido. E sim, quando choro, faço cara de garotinha. Se tivesse me
dito, teria lhe proporcionado o prazer de me ver chorar mais vezes. Foram tão
poucas. Tão poucas as vezes que não consegui disfarçar o meu pânico perto de
ti.
Nem para esquecer eu presto.
Sabia que eu ainda vou te reencontrar? Pois é, eu vou. Quando eu não sei, mas
tenho certeza que o tempo tornará isso possível. E pouco demora, será antes da
minha morte, da minha tão desejada e suplicada morte.
O engraçado é que antes mesmo de
te conhecer eu costumava dizer que seria em 2014. Não que eu esteja planejando
isto, longe de mim. Mas se for mesmo, nosso encontro está mais próximo do que podemos
imaginar. Mas os motivos que me levaram a concluir isto foram tão banais e
precipitados que nem vêm ao caso.
Estou aqui para discorrer, ainda
não sei bem, mas é sobre você ou para você. Talvez os dois.
Quando te encontrar, não sei o
que vou fazer. Talvez eu trave; não como você travava, mas sim de não conseguir
mover nem o olhar, talvez eu chore, talvez eu fale, talvez somente ouça ou quem
sabe eu te espanque.
Menina, que eu não te espanque,
porque eu seria capaz de te deformar.
Mas depois lhe pagaria um
cirurgião plástico. Seria até bom, pediria para refazer essa sua cara sínica e
dissimulada.
Quem sabe eu faça de ti a minha garotinha,
brincar de inverter papeis. Só que a minha meta seria ainda mais fria, você
tinha lá seus interesses justamente fundamentados em sua tese. O meu único
objetivo será fazer-te derramar uma lagrima verdadeira. Verdadeiramente doida e
arrependida.
Mentira, pra ser sincera minhas
magoas não são tão grandes assim. Só quero mesmo ver se eu sou capaz de cair na
tua novamente.
Eu sinto é pena de você, pena do
seu desprezo próprio. E talvez esse seja o seu maior castigo.
Leve para sempre dentro de ti a
minha repugnância, só não se esqueça dos meus abraços, eles sempre foram
sinceros.
Independente do que eu lhe faça,
ou do que tu faças para mim, do quanto novamente nos encontrarmos. Independente
do quanto me faça implorar novamente pela minha morte precoce, carregue para si
uma certeza: eu vou lhe agradecer.
Obrigada por me ensinar que
ninguém nesse mundo consegue ser bom, meigo, doce, gentil, caridoso e doente ao
mesmo tempo.
Obrigada por me ensinar que não
se pode confiar em ninguém, e que quando estiver andando pela rua durante a
noite, sozinha, e o reflexo da luz lhe gerar novas sobras, DUVIDE, vire-se e
certifique-se de que realmente estas só.
A minha melhor companhia para
sempre será a minha solidão e a minha própria dor.
Obrigada por me mostrar o quanto
as pessoas são podres. Não passamos de lixos orgânicos.
Aprendi a duvidar de palavras
bonitas, e a fingir que acredito retrucando com novas belas palavras. Aprendi a
fingir paixões. Eu aprendi a ser podre, na verdade eu ainda venho trabalhando
isso dentro de mim, mas sei que um dia vou conseguir. Tive a melhor professora
que o mundo poderia me oferecer.
Ainda não consegui arrotar suas
sobras, na verdade porque não foi possível digeri-la por completo. Mas não me
julgue, afinal, são restos de passado e o vomito ainda é teu.
Tanto já se passou, mas ainda não
consegui. Talvez seja isso, tudo o que ainda me resta de garotinha e daqui até
2014 eu decido se ainda quero um pouco de acides no meu estomago ou se vomito
de volta e mando lhe entregar em embrulho de presente acompanhado de fores e
serpentes.
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