sábado, 28 de julho de 2012

Garotinha


Você era minha amiga. Tão frágil, tão sensível, tão dependente de meus cuidados.
E tudo que eu queria era pode lhe cuida. Eu te cuidava, nos mínimos detalhes te obsevava, a cada sorriso tentava aliviar um pouco da sua dor.
Tão doente. Ela só tinha meio pulmão, pensei na forma de lhe entregar um dos meus, nessa época eles ainda eram saldáveis, ou ao menos eu pesava que fossem. Eu queria tanto, mas tanto e me doía saber que isso não era possível, então eu rezei, na verdade eu rezava toda noite e pedia para que Deus me tirasse um deles e passasse para ti.
Eu poderia pedir para que você sarasse, mas não, eu desejava sofrer contigo, e ao teu lado aprendi a desejar e gritar cada dia, cada segundo mais alto pela morte. Eu ansiava pelo seu abraço sombrio.
Você travava. Tão pequena e delicada, minha nossa, como você sofria. Lembra-se de quando cantou e tocou para mim “avião sem asa, fogueira sem brasa, sou eu assim se você”. Eu tentava demonstrar que era forte, não chorava perto de ti, mas quando a noite chegava, trazendo junto a angustia que me consumia e me fazia sentir uma inútil, eu abraçava o travesseiro e chorava por ti, chorava por mim.
E a cada 30 minutos (durante semanas), quando o meu maldito celular despertava, duas vezes você atendeu, então agradeci a Deus por você está viva. E as outras, eu rogava novamente a ele, implorando para que você ficasse com parte de mim, e desejando a cada dia, mais e mais, o tão sonhado abraço eterno. Fazia tudo isso enquanto você dormir. Eu velava-te. Quanta inocência cabia a mim? Nenhuma. Quanta burrice? Nem eu seria capaz de contar, era a burrice maior do mundo.
Eu me feria, me esfolava e me torturava, fazia do meu corpo o abrigo solidário e solitário do lixo, o lixo o que eu me sentia, o qual você me fazia sentir. E a cada gota de sangue derramado um tremendo alivio. Sim, isso me aliviava, eu tinha justiça, tinha o que merecia. Eu não conseguia te proporcionar toda a felicidade que o seu falso olhar me pedia.
Quantas vezes me enforquei, asfixiei, tudo isso porque não me cabia derramar mais nenhuma gota de sangue. Já não me era possível derrama-las. Além do mais, eu desejava sofrer do mesmo mal que sofrias.
Qual? O mal de mal algum? O mal de psicopata, louca, alucinada? Ou seria o mal de se amar tanto e almejar tanto um objetivo ao ponto de passar por cima de tudo e todos? Independente de quem, ou quantos, o quanto sofreria o quem, o alguém, ou todos.
Tenho que lhe admitir, MENTES DE FORMA ENCATADORA. Acho até que lhe invejo esse dom. Ou não, eu era a sua garotinha, como você mesmo dizia “minha garotinha”.
Talvez eu deva sentir nojo de você, afinal, enganar uma garotinha não é nada complicado.
Será que ainda existe algo de garotinha em mim?
Talvez as lembranças. Porque nem o seu maldito numero de telefone eu consegui esquecer.
Nunca tentei, e nem vou tentar, mas espero que já tenhas trocado esse numero para que eu nunca te ligue.
Que mentira, acho que você me ensinou bem... Acabei de me flagrar tentando enganar-me.
Há dois anos trás eu te liguei sim, liguei no confidencial e assim que ouvi tua voz do outro lado da linha imediatamente desliguei e destruí-me em lagrimas.
Chorei em frente ao espelho, e te confesso: adorei assistir minha própria dor.
Tinhas razão em fazer tudo aquilo, era mesmo divertido. E sim, quando choro, faço cara de garotinha. Se tivesse me dito, teria lhe proporcionado o prazer de me ver chorar mais vezes. Foram tão poucas. Tão poucas as vezes que não consegui disfarçar o meu pânico perto de ti.
Nem para esquecer eu presto. Sabia que eu ainda vou te reencontrar? Pois é, eu vou. Quando eu não sei, mas tenho certeza que o tempo tornará isso possível. E pouco demora, será antes da minha morte, da minha tão desejada e suplicada morte.
O engraçado é que antes mesmo de te conhecer eu costumava dizer que seria em 2014. Não que eu esteja planejando isto, longe de mim. Mas se for mesmo, nosso encontro está mais próximo do que podemos imaginar. Mas os motivos que me levaram a concluir isto foram tão banais e precipitados que nem vêm ao caso.
Estou aqui para discorrer, ainda não sei bem, mas é sobre você ou para você. Talvez os dois.
Quando te encontrar, não sei o que vou fazer. Talvez eu trave; não como você travava, mas sim de não conseguir mover nem o olhar, talvez eu chore, talvez eu fale, talvez somente ouça ou quem sabe eu te espanque.
Menina, que eu não te espanque, porque eu seria capaz de te deformar.
Mas depois lhe pagaria um cirurgião plástico. Seria até bom, pediria para refazer essa sua cara sínica e dissimulada.
 Quem sabe eu faça de ti a minha garotinha, brincar de inverter papeis. Só que a minha meta seria ainda mais fria, você tinha lá seus interesses justamente fundamentados em sua tese. O meu único objetivo será fazer-te derramar uma lagrima verdadeira. Verdadeiramente doida e arrependida.
Mentira, pra ser sincera minhas magoas não são tão grandes assim. Só quero mesmo ver se eu sou capaz de cair na tua novamente.
Eu sinto é pena de você, pena do seu desprezo próprio. E talvez esse seja o seu maior castigo.
Leve para sempre dentro de ti a minha repugnância, só não se esqueça dos meus abraços, eles sempre foram sinceros.
Independente do que eu lhe faça, ou do que tu faças para mim, do quanto novamente nos encontrarmos. Independente do quanto me faça implorar novamente pela minha morte precoce, carregue para si uma certeza: eu vou lhe agradecer.
Obrigada por me ensinar que ninguém nesse mundo consegue ser bom, meigo, doce, gentil, caridoso e doente ao mesmo tempo.
Obrigada por me ensinar que não se pode confiar em ninguém, e que quando estiver andando pela rua durante a noite, sozinha, e o reflexo da luz lhe gerar novas sobras, DUVIDE, vire-se e certifique-se de que realmente estas só.
A minha melhor companhia para sempre será a minha solidão e a minha própria dor.
Obrigada por me mostrar o quanto as pessoas são podres. Não passamos de lixos orgânicos.
Aprendi a duvidar de palavras bonitas, e a fingir que acredito retrucando com novas belas palavras. Aprendi a fingir paixões. Eu aprendi a ser podre, na verdade eu ainda venho trabalhando isso dentro de mim, mas sei que um dia vou conseguir. Tive a melhor professora que o mundo poderia me oferecer.
Ainda não consegui arrotar suas sobras, na verdade porque não foi possível digeri-la por completo. Mas não me julgue, afinal, são restos de passado e o vomito ainda é teu.
Tanto já se passou, mas ainda não consegui. Talvez seja isso, tudo o que ainda me resta de garotinha e daqui até 2014 eu decido se ainda quero um pouco de acides no meu estomago ou se vomito de volta e mando lhe entregar em embrulho de presente acompanhado de fores e serpentes. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário