sábado, 28 de julho de 2012

Aceite minhas desculpas


Não nos falamos o dia todo, você foi muito grossa comigo. Tudo que eu queria era ser gentil.
Mas essa minha bondade, necessidade de me fazer de vítima me faz rir. Hora veja só, eu sempre lhe pedi desculpas pelos seus erros, porque hoje teria que ser diferente?
Não lhe enviei uma mensagem o dia todo, mas aguardava ansiosa para que você me enviasse e eu pudesse lhe responder. Meu celular tocava, mas não era você. Fiquei com tanta raiva, mas tanta raiva que não respondi e muito menos atendi ninguém. Como se eles fossem os culpados e me devessem as mesmas desculpas que eu devo a você.
Somente para ter certeza de que me ignoraria, no final da noite enviei-te uma mensagem.
E adivinha só, você não me respondeu!
Eu me pintei de vermelho, unhas e boca para chamar a minha própria atenção, que invisível eu sou. Sou até mesmo para mim, e daria a vida para saber se sentes a minha falta. Eu te imagino tão fria e sem coração.
Es tão inteligente para escrever sobre amor, e tão burra para amar.
Na tentativa de mandar embora todo o meu desprezo próprio, tudo aquilo que fazes me  desprezar, fui para o banho e o tomei com óleos cheirosos, e em contraste com meu corpo minhas unhas ainda vermelhas, isso me seduzia. Vendo minha própria beleza, confesso que por um segundo, talvez um segundo e meio eu me esqueci de ti.
Passei perfume e me vesti sensualmente, tudo para entrar na internet e mais tarde deitar-me com minha única companhia, doce e fiel solidão.
Senti ciúmes de você e ignorei para o publico a minha posse, sendo totalmente envolvida pela minha incontrolável necessidade de descrever o quanto me ignoras e me fazes mal.
Estou tentando, ao menos até o fim deste texto, não fumar e nem falar de cigarros, mas vi que é impossível e preciso dar um trago mortal a sua ingratidão.
Portanto, brindemos a nossa fraqueza, ao nosso inferno, nossa tortura, um brinde a minha autodestruição, a mesma que me alimenta.
Desejo de ti tudo o que tens de mais desprezível a me oferecer, desejo tudo de mais falso, menos teu.
Quero uma dose de ilusão tragada com desilusão.
Quero o meu poeta predileto com os seus “versos íntimos”
Desejo a decomposição do meu corpo nojento e humano.
Desejo  liberdade para minha alma suja.
Desejo um beijo dessa sua boca imunda.

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