Não nos falamos o dia todo, você
foi muito grossa comigo. Tudo que eu queria era ser gentil.
Mas essa minha bondade,
necessidade de me fazer de vítima me faz rir. Hora veja só, eu sempre lhe pedi
desculpas pelos seus erros, porque hoje teria que ser diferente?
Não lhe enviei uma mensagem o dia
todo, mas aguardava ansiosa para que você me enviasse e eu pudesse lhe
responder. Meu celular tocava, mas não era você. Fiquei com tanta raiva, mas
tanta raiva que não respondi e muito menos atendi ninguém. Como se eles fossem
os culpados e me devessem as mesmas desculpas que eu devo a você.
Somente para ter certeza de que
me ignoraria, no final da noite enviei-te uma mensagem.
E adivinha só, você não me
respondeu!
Eu me pintei de vermelho, unhas e
boca para chamar a minha própria atenção, que invisível eu sou. Sou até mesmo
para mim, e daria a vida para saber se sentes a minha falta. Eu te imagino tão
fria e sem coração.
Es tão inteligente para escrever
sobre amor, e tão burra para amar.
Na tentativa de mandar embora
todo o meu desprezo próprio, tudo aquilo que fazes me desprezar, fui para o banho e o tomei com
óleos cheirosos, e em contraste com meu corpo minhas unhas ainda vermelhas,
isso me seduzia. Vendo minha própria beleza, confesso que por um segundo,
talvez um segundo e meio eu me esqueci de ti.
Passei perfume e me vesti
sensualmente, tudo para entrar na internet e mais tarde deitar-me com minha
única companhia, doce e fiel solidão.
Senti ciúmes de você e ignorei
para o publico a minha posse, sendo totalmente envolvida pela minha
incontrolável necessidade de descrever o quanto me ignoras e me fazes mal.
Estou tentando, ao menos até o
fim deste texto, não fumar e nem falar de cigarros, mas vi que é impossível e
preciso dar um trago mortal a sua ingratidão.
Portanto, brindemos a nossa
fraqueza, ao nosso inferno, nossa tortura, um brinde a minha autodestruição, a
mesma que me alimenta.
Desejo de ti tudo o que tens de
mais desprezível a me oferecer, desejo tudo de mais falso, menos teu.
Quero uma dose de ilusão tragada
com desilusão.
Quero o meu poeta predileto com
os seus “versos íntimos”
Desejo a decomposição do meu
corpo nojento e humano.
Desejo liberdade para minha alma suja.
Desejo um beijo dessa sua boca imunda.
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