segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uma transa, um cigarro



Elas conversavam, aquela moça bonita e charmosa falava. Incrível, ela não se calava nunca. A outra que adorava falar, simplesmente ouvia. E ela adorava podê-la ouvir. Como quem se iludia, ouvia com toda calma e malicia que lhe era sugerido e cabível. Uma malicia a qual, pela outra parte, já mais imaginada.
Dizia coisas bonitas, inclusive sobre a imortalidade. Não que desejasse imortalizar aquele momento, muito pelo contrario.
E em seus pensamentos ela questionava “diz tudo que me diz, qual parte será minha e qual de todas as outras?” Parecia tudo tão natural, mas ela sempre soube dos ensaios.
Então pensava para si, malicia e inocentemente, que melhor que a imortalidade seria poder saber a verdade que todas as pessoas teimam em não dizer.
E ela se sentia bela de mais para ser tocada, mas foi.
E de certa forma, a criança que desejava nunca morrer, não morrerá, ao menos não em pensamentos e por alguns dias, meses ou anos.
Comiam e desejavam-se mais do que dois dedos eram capazes.
E ela, se sentiu especial?
Não!
Ali, de camarote, assistia o seu corpo sendo usado da mesma forma em que ela, também, usaria.
-Vamos fumar?
-Estava cogitando a mesma ideia.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Apenas mais uma vitima de seu charme

E ela era linda.
Linda, tão meiga e doce, possuía o sorriso mais cativante que alguém poderia ter. Ninguém sabe o motivo, mas ela só se vestia de branco ou azul claro. Sempre bem maquiada e essencialmente de batom vermelho. Fumava desgraçadamente e bebia socialmente, acho que nunca ficou bêbada.
Todos olhavam e desejavam, alguns diziam que ela era maluca e outros diziam que era o ser mais sereno que havia na terra.
Homens ou mulheres? Não importava. Ela sempre tinha alguém, sempre estava acompanhada. Mas ela não ficava com qualquer pessoa, calculadamente selecionava o seu próximo amor.
Ela adorava ouvir e observar. Aquela moça de pele branca e macia era exatamente a mulher que qualquer pessoa desejava.
Sempre que passava pela rua, percebia comentários de sua beleza, e alguns, os mais atrevidos de longe gritavam toscamente “hô gostosa”. E ela não se incomodava, afinal sabia mesmo que era.
Ela era atraída por pessoas reservadas. Não meigas, não doces, não serenas. Porém, pessoas tristemente reservadas. Ela observava o medo e a angustia no olhar de cada uma delas, e quanto mais gritava pelo fim de sua vida, mas ela desejava amar aquela pessoa.
Ela seduzia, não era nada difícil. E a vitima se sentia privilegiada.
Ela adorava ouvir, transar e ouvir. Sempre pedia para pessoa falar mais de seus problemas, pedia para que desabafasse com ela. Com o tempo ela nem precisava mais pedir, era tão bom, seus conselhos eram sempre maravilhosos.
Ela era fiel, completamente fiel ao seu crime. Nada podia dar errado. E não dava.
Ela fazia um bem fascinante. Seduzia, conquistava, ouvia, transava, ouvia, fumava e por fim, falava. Usava palavras formais e te dizia coisas confortáveis. A pobre vitima se sentia tão bem que em pouco tempo já se viciava.  O que seria essa mulher? Alguma droga nova no mercado? Não, ela era uma mulher a qual você, facilmente, se tornava dependente.
Mas havia um problema.
E com o tempo, com todos os bons conselhos, fortes abraços e caricias a vitima ficava feliz e ao lado daquela mulher todos os problemas se resolviam. Aquilo não era uma droga, era um anjo.
Será?
Quando ela via a felicidade nos olhos da vitima ela já não queria mais. Quando a vitima já sabia, coseguia resolver seus martírios a doce mulher sem porque ou pra que simplesmente desaparecia.
Qual seria o papel desse anjo aqui na terra?
Fazer-te aprender a viver? Tirar-te da depressão?
Perverso demônio.
A verdade é que aquele satanás se alimentava de lagrimas e vivia do desespero.
Não era a toa que escolhia cuidadosamente suas vitimas.
Enquanto seus olhos pediam e gritavam doloridamente suplicando a morte celestial ela ficava ao lado ouvindo suas angustias e se alimentando daquela coisa.
A vitima se sentia feliz, viciadamente feliz e a ela já não fornecia mais alimentos.
Se a sua presença era tudo que lhe era possível fazer sorrir o anjo mal se retirava e somente observava de longe a degradação física e psíquica da criatura até que viesse a óbito.
No fundo de sua gaveta, lá estava suas anotações. Quantos já se foram e o próximo a ir.