Quantos anos você tinha quando
descobriu que o “para sempre” é sobre memorias e não sobre pessoas? Quando o
seu coração foi partido pela última vez? E ao envelhecer, você conseguiu
calejar?
CARTA ABERTA AO MEU BEIJA-FLOR
Eu me lembro de não te amar,
parece que foi ontem e em um piscar de olhos você tomou conta de tudo. Meu
coração foi quebrado em partículas, meus olhos não param de regar a sua
ausência.
Sabe, quando você me deixou doeu,
ainda doí, cada dia que passa a dor só aumenta. Mas pensei “o universo está se
alinhando novamente”. É claro que essa realização não poderia me pertencer.
Quando aconteceu de você ir, você
já era a minha alma. Eu rezei, rezei de verdade pedindo para que me devolvessem
para você. Eu te pertenço tanto. Eu quis muito te pedir para ficar, mas não me
senti no direito. Chorei, chorei até que dormir e no outro dia chorei porque
não se tratava de um pesadelo, você havia partido de verdade. O mês se arrastou
e enquanto os dias me atropelavam eu repetia para mim que você iria voltar.
“Respeite o tempo e o espaço dela, Ray”.
Eu peço ajuda de qualquer um. Com
a propriedade de quem saiu do céu e foi até o inferno com um simples “adeus”, aceito
ajuda de Deus, aceito ajuda do diabo, eu pedi ajuda até de você.
Eu ofereço a minha servidão e
lealdade para aquele que me fizer aceitar no coração que não se trata de tempo
ou espaço, que foi um adeus e os adeuses não voltam nem para serem vistos pela última
vez com olhos de amor.
Entre uma crise de abstinência e
meus pedidos de socorro, nas primeiras noites eu te abracei em três adormecer.
Eu não sei se foi delírio ou se foi ajuda, mas eu acordei na madrugada e você estava
aqui, deitada nos meus braços. Pode ter sido tortura também, já que é
exatamente isso que se vive no inferno. Tivemos outro momento, o dia que eu te
acordei. Já era de manhã quando eu entrei no seu quarto, te dei um beijo e sai.
Vou seguir dizendo que foram encontros de almas pois elas não aceitam, tão
cedo, a nossa despedida.
Eu tenho tantas perguntas não
formuladas, todas guardadas no meu estomago em formato de nó.
Estou tentando me convencer de
que essa vida é pequena se comparada a imensidão da eternidade, isso não me
consola, mas eu desejo que dê certo para próxima vida.
Essa sou eu tentando te dizer:
adeus, então.
Eu sempre vou te pertencer,
beija-flor.