quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Minha Adorável Psicose


E só de lembrar que eu bebi um bar ao chorar por ti.
Mas hoje não, hoje me sinto bela de mais para te amar. Acho-te uma desgraçada, filha da puta.
A verdade é que sempre amei o seu falso sorriso aberto.  Como se seu sangue frio fizesse parte do meu corpo gelado, eu te precisava ao meu lado me enganando. Seu cheiro doce e repugnante me enfeitiçava.  Feito uma garota imatura e insegura, roendo as unhas e engolindo meu desespero, seu desprezo me alimentava, afinal sempre foi tão bela quanto à morte ao implorar por mais um dia vida. Eu bebia do meu próprio sangue e a cada dia que se passava estreitava ainda mais a fina linha que separava o meu amor do seu ódio.
Fumava tranquila e cuidadosamente, e com a fumaça eu te via indo. Aquele gosto amargo e viciante, como minha bituca eu te descartava e antes que o forte gosto se acabasse eu acendia outro cigarro.
Eu pensava está preparada para mais uma traição, traição do meu orgulho, meu querer, e da sua falta de caráter.
Como será possível? Sempre nos preparamos para tanto e bebemos, morremos por bem menos.
Mas hoje não, hoje estou me sentindo muito mais mulher. Não posso querer ser sua só para alimentar o seu ego e o meu grau de embriaguez.
Pobre de mim, como quem limpava a alma eu te esperava, insanamente sóbria e assistindo TV.
Agora, como quem degusta o ultimo trago eu mando-te ir!


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Flashback

E as pessoas mudam, afinal.
Elas se beijavam, seu beijo continuava excitante e encantador. Mas ela a procurava detalhadamente em seu passado.
Seu corpo ainda era o mesmo. Seus movimentos ainda feitos parecidos.
Ela estava diferente, seu toque já não tinha amor, seu beijo só havia desejo.
Ela transava enquanto o outro alguém desejava algo mais, talvez o seu antigo querer.
Seu coração disparava, sua pupila dilatava e no mesmo segundo pensava e relatava para si e mais ninguém.
Ela estava mais madura, ate mesmo em sua forma de não amar.
E uma delas descobriu que ainda amava (não tanto quanto pensou, mas amava) e a outra disse que já não sentia mais nada.
Como pode ser assim tão desejada?
Ela a queria por mais de uma noite, mas foi sua por apenas um segundo. Ou nem isso. O seu pensamento ia longe. Estava contigo pensando em alguém. Incrível a forma como isso foi aceito.
Ela olhava nos olhos e não contava nenhuma mentira, nem para dizer que ainda era bonita.
Quanta palhaçada, garota metida. Ela se via tendo que viver a realidade fingindo ser forte e fria. Sentia ciúmes, mas não sentia raiva. No fundo sentia-se orgulhosa. A criança, aparentemente, evoluiu, cresceu.
E aquela vontade de rouba-la para si, como foi controlada? Talvez não tenha sido.
João de Barro, eu te entendo agora!