E só de lembrar que eu bebi um
bar ao chorar por ti.
Mas hoje não, hoje me sinto bela
de mais para te amar. Acho-te uma desgraçada, filha da puta.
A verdade é que sempre amei o seu
falso sorriso aberto. Como se seu sangue
frio fizesse parte do meu corpo gelado, eu te precisava ao meu lado me
enganando. Seu cheiro doce e repugnante me enfeitiçava. Feito uma garota imatura e insegura, roendo
as unhas e engolindo meu desespero, seu desprezo me alimentava, afinal sempre
foi tão bela quanto à morte ao implorar por mais um dia vida. Eu bebia do meu
próprio sangue e a cada dia que se passava estreitava ainda mais a fina linha
que separava o meu amor do seu ódio.
Fumava tranquila e
cuidadosamente, e com a fumaça eu te via indo. Aquele gosto amargo e viciante,
como minha bituca eu te descartava e antes que o forte gosto se acabasse eu
acendia outro cigarro.
Eu pensava está preparada para
mais uma traição, traição do meu orgulho, meu querer, e da sua falta de
caráter.
Como será possível? Sempre nos
preparamos para tanto e bebemos, morremos por bem menos.
Mas hoje não, hoje estou me
sentindo muito mais mulher. Não posso querer ser sua só para alimentar o seu
ego e o meu grau de embriaguez.
Pobre de mim, como quem limpava a
alma eu te esperava, insanamente sóbria e assistindo TV.
Agora, como quem degusta o ultimo
trago eu mando-te ir!