quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fede, mas é amor


O corpo era parado e de pele fria, se houvesse um pouco mais de observação, ela parecia nem respirar. Estava vestida com uma linda camisola de cor branca, detalhes trabalhados em renda, feito em um corte de cetim. Os lençóis eram de tonalidades claras, e bem macias. A pele era branca como o leite –parecia se misturar com o ambiente- era um pouco flácida, seios não muito avantajados, corpo esculpido por um artista de obras raras, cabelos macios e pelos do tamanho ideal.
Ela dormia, dormia como quem estava em sono profundo de sonho calmo.
Ele se levantou, foi para o trabalho e deixou no espelho um bilhete mal feito, porém bastante atencioso.
Ele estava cansado, o dia de trabalho foi exaustivo. Nada melhor do que ir para o bar com os amigos. Ele foi, foi e voltou tarde da noite, completamente bêbado e cheirando a sexo. Vai para o quarto, e percebe que ela já se recolheu, o bilhete ainda estava no espelho, as louças limpas. E com as vistas embaralhadas toma um banho, prepara um café e deixa derramar açúcar. No carpete da sala ele se joga, e acorda ao amanhecer. A rotina era a mesma, porém, dessa vez um novo bilhete na geladeira, prometendo voltar mais cedo, a tempo de fazerem amor.
Ele não conseguiu. Novamente o marido infiel volta pra casa completamente embriagado, acende o cigarro, fuma na janela, para que a fumaça não a incomode. Percebe que o copo da noite passada ainda esta sujo, o açúcar derramado coberto de formigas. Ele percebe pelo seu corpo marcas de batom vermelho, então corre para o banho, antes que sua esposa acorde e repare tamanha sujeira de sentimentos. Porém, a mulher dormia tão profundamente que o barulho de bêbado pela casa não a acordava. E antes de apagar, ele a admirou por 30 segundos enquanto ela dormia sem produzir som algum. Meu Deus, como essa mulher é bela.
No dia seguinte, após o trabalho e a cerveja com os amigos, ele chega um pouco mais cedo, porém ela já se encontra dormindo. A casa não muito organizada, o lixo, resultado da bebedeira da noite anterior ainda estava no mesmo lugar.
Ele a beija na boca, porém não adquire reação. Coberto de desejo ele a come, a mulher, completamente seca sangra e continua a dormir.
Aquele bêbado do sorriso amarelo deita-se ao lado de sua mulher e lhe acaricia os cabelos, ate que acorde em uma bela manha de sábado, às 11h59min, se arruma e vai para o futebol com os amigos.  Ela continua a dormir, e ele admira sua forma solene.
Na noite de domingo, volta para casa com bafo desgraçado de pinga, carniça de cigarro, todo machucado. Filho da puta brigou na rua por rapariga. E sua fiel esposa, ainda nos mesmos lençóis e camisola marcada de sangue dorme tranquilamente. Os vizinhos reclamam de certo mau cheiro, mas ele diz não perceber.
Segunda-feira enquanto trabalhava recebe uma ligação. -Jesus será possível? O que poderá ter acontecido? Minha esposa deve está precisando de mim.
Ao chegar, céus, ela ainda dorme! Tão linda e bela, ela dorme feito anjo, nem parece levar a vida sofrida que leva.
E aos gritos chega uma mulher, louca desesperada “DESGRAÇADO FILHO DA PUTA, INSOLENTE, VAGABUNDO; ENQUANTO ENTOPE O CÚ DE PINGA E COME SUAS PUTINHAS DA RUA, MINHA FILHA HÁ UMA SEMANA ESTÁ MORTA E VOCÊ NEM PARA PERCEBER, FEDE TANTO QUE NÃO CONSEGUE NOTAR A CARNIÇA DE GENTE MORTA, DE UM CORPO SOFRIDO E MISERÁVEL SE DECOMPONDO NA MESMA CAMA EM QUE VOCÊ GOZA.”
E ele responde: Perdoe-me senhora, eu a amo. Sempre foi tão perfumada que me acostumei a não sentir outros cheiros.
E aos prantos, retira os lençóis da ultima “noite de amor” que tiveram; vai para as ruas, se embriagar. De tão bêbado dorme na calçada –ate porque não tem mais motivos para voltar pra casa- se cobre com lençol e ainda sente seu perfume.
Desculpa! Meu amor fede, é podre, mas continua sendo amor!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ela precisava ir


E o engraçado não foi saber que em algum momento – mínimo- mas você me olhou dizendo adeus na esperança que eu pedisse para que ficasse. O engraçado nunca foi à certeza que você ficou comigo pensando em outro alguém, desejando aquela outra pessoa. O SURPREENDENTE NÃO É A MINHA VONTADE DE NUNCA COLOCAR VÍRGULAS e já mais desejar pausas.
E todo aquele sentimento, camuflado e escondido por aquela montanha, toda aquela de  lixo que nunca passou de orgânico.
Até parecia pedir socorro, e ate parecia que eu não sabia da sua necessidade de ir, porém tremenda vontade de continuar presa e ficar.
Era tudo tão PODRE, tão ORGÂNICO e degradável. Que bizarras as minhas tentativas frustradas de lhe comprar pensamentos.
Eita, por um segundo, você quase foi minha doce ilusão, porem, não acredite, afinal estou bêbada...
Suplico: perdoe-me tantos erros. Fiz o melhor de mim. Mas talvez eu pudesse ter caprichado um pouco mais. Na verdade, certamente eu poderia.
E a ânsia de vomito que me causou ao lembrar de mim mesma.
Ecaaa... Preciso vomitar.
Você descendo as escadas me chamando de grossa e dizendo adeus...
Dai eu feito besta lhe GRITANDO "Boa sorte" (sendo que no fundo não desejava)
ADEUS, MEU AMOR. Eu tentei fingir ser legal, mas não consegui.
Ainda mais sabendo que, você, procurava um culpado.
E do que eu sei? NADA! Apenas de que você precisa encontrar um responsável, e veja só... Hoje eu lhe permito me culpar do que precisar e achar que deve. Olha só, nem sou tão ruim quanto pensei.
Queria encontrar as palavras mais baixas possíveis, só que não consigo. Precisava lhe deseja o mal, só que não dar.
Infeliz, porque não esperou que eu te amasse?
Ainda precisava sofrer.
Droga!
Daí, tudo que me resta é dizer: Felicidades!
Vai, e se quiser, não precisa voltar, mas ainda estou aqui!